CONVERSA

Delegado Seccional defende educação familiar para prevenir criminalidade

CONVERSA

O delegado Seccional Edson Guilhem defende a educação familiar como forma de prevenir a criminalidade. Em sua opinião, o respeito de filhos com pais, autoridades e mais velhos, deve ser retomado o quanto antes. “Temos que investir na questão da segurança, mas também retomar as rédeas da educação que vem de casa”, disse. Para o Seccional, jovens não se preocupam com o amanhã e a sensação de liberdade, é reflexo da falta de limites que deveriam ser impostos pelos pais. Nesta edição, o delegado  aborda temas como os 29 anos de carreira, segurança pública, feminicídio, sucateamento e expectativa da Polícia Civil.

 

TDB: Qual balanço o senhor faz dos 29 anos na carreira policial?

Dr. Edson: Satisfação e certeza do dever cumprido. Muitas pessoas têm falsa ideia do funcionário público. Ele é uma pessoa como qualquer outra e se for inerte na prestação do serviço, não é por ser funcionário público. Assim será em toda sua vida e em qualquer profissão que ocupar. Nestes 29 anos, acumulei experiência  trabalhando em São Paulo, Colina, Guaíra e Barretos. Tento repassar essas experiências aos novos delegados e policiais civis, mas ainda temos muito o que trabalhar pela sociedade.

 

TDB: Como o senhor analisa o sucateamento de policiais nos últimos anos?

Dr. Edson: A Polícia Civil não tem reposto seu quadro na mesma proporção das aposentadorias e afastamentos. Com as mudanças no regime previdenciário, os servidores  que já tinham 20 anos de polícia e 10 de contribuição buscaram sua aposentadoria e a reposição não aconteceu na mesma proporção e velocidade. Os quadros que já não eram os ideais, agora estão críticos e a maior deficiência é de escrivão. Hoje na área da seccional não existem municípios sem escrivão, mas temos unidades policiais sem esses profissionais. Outro clamor da população é a falta de delegados.  Das 11 cidades coordenadas pela Seccional, 5 possuem delegados titulares: Barretos, Guaíra, Olímpia, Colina e Guaraci. Os outros 6 não possuem há anos a autoridade policial. A carência é notória,  mas temos nos desdobrado para que a população seja atendida da melhor forma possível.

 

 

TDB: Como a polícia civil trata a questão dos Feminicídios?

Dr. Edson: A Lei Maria da Penha foi uma adequação para atender tratados internacionais, mas o  que aconteceu no caso concreto da Maria da Penha poderia ter sido evitado. Com as ferramentas penais e processuais existentes,  antes da edição da Lei,  já seria possível evitar que ela fosse vítima de uma tentativa de homicídio que a deixou na cadeira de roda. A Lei veio num contexto bonito, mas a vítima precisa de estrutura.  A mulher procura a delegacia, registra o fato, representa por medida protetiva, mas tem que voltar ao mesmo lar onde  reside o agressor. A parte da Lei Maria da Penha onde prevê o assistencialismo e  a proteção da vítima através de órgãos assistenciais não teve preparo do Estado.  Não basta apenas a parte policial ser cumprida.  Independente disso,  tem que procurar a delegacia porque o Feminicídio é de difícil prevenção, mas existem casais que dão a dica que se levará a um fato mais grave e  que pode ser impedido.

 

 

 

 

 

 

 

 

TDB: Qual o caminho para tratar a questão da segurança pública?

Dr. Edson: Todos têm fórmulas milagrosas e colocam a segurança como prioridade. Mas se é prioridade é porque esqueceram dela.  Temos que investir na questão de segurança, mas retomar as rédeas da educação, não a formal que é ministrada em salas de aula, essa é tão importante quanto a segurança pública  e atribuição do Estado. Falo da  educação familiar, onde o filho tem que respeitar pais, mais velhos e  autoridades. Não existe  mais esse respeito e a juventude não se preocupa com o amanhã. Ela quer viver o hoje e ostentar a qualquer preço. E sem o freio dos pais, só fomenta a criminalidade. Se tivermos educação primária, com certeza teríamos bem menos trabalho em nível de segurança pública como um todo. A regra da boa educação e bem conviver é muito importante para ter uma boa sociedade. Não estou falando em agredir o filho ou adolescente,  mas de uma educação mais rígida com imposição de limites dentro de casa.

 

TDB: Qual deve ser o primeiro ato do governador eleito com relação à Polícia Civil?

Dr. Edson: Deve recompor o quadro de servidores. Existem vários concursos em andamento e finalizados, de diversas carreiras e que dependem de nomeação. Não adianta ter o concurso, os aprovados e não haver a nomeação.  Esse é o principal ato que o governador eleito terá que fazer na Polícia Civil.


TDB: Como a população pode ajudar os trabalhos da Polícia Civil?

Dr. Edson: A prevenção primária compete à população e pela Constituição a segurança é dever de todos. Não podemos deixar essa atribuição apenas para as polícias. Clamamos que a população faça sua parte. Com certeza a Polícia Civil está fazendo o que pode, as vezes extrapolando horário de trabalho para o esclarecimento de delitos. Temos sobrecarga de trabalho muito grande e  produzimos muito mais  com menos policiais.   

 

 

Legenda

Divulgação

Delegado Seccional Edson Guilhem completa 29 anos de carreira policial

 

 

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